Investigações forenses giram com frequência em torno de uma única pergunta: este arquivo já esteve neste computador? Não «está no disco agora?» — isso é dir. A versão difícil é: dá para mostrar que estava no disco ontem, na semana passada, no ano passado? Em volumes NTFS, o $MFT costuma ser a resposta mais sólida.
O que sobrevive a uma exclusão
Quando um arquivo é excluído no NTFS, o bit «em uso» do seu registro MFT é apagado, mas o restante do registro fica. Esse registro carrega:
- o nome completo (em
$FILE_NAME); - a referência ao diretório pai;
- quatro timestamps (criação, modificação, acesso, modificação MFT) — em duplicata, em SI e FN;
- os tamanhos lógico e físico;
- para arquivos pequenos, todo o conteúdo (
$DATAresidente); - para arquivos maiores, a runlist dos clusters que continham os dados.
Cada um desses é evidência direta. Um registro MFT excluído com $FILE_NAME = plano-secreto.docx, diretório pai \Users\bob\Documents e SI-criação 2024-11-03T14:02:11Z demonstra que um arquivo com esse nome existiu naquele diretório naquele dia, independentemente do que o dir mostraria hoje.
A força probante
Três propriedades fazem dos registros MFT uma evidência forense robusta:
- O próprio NTFS os escreve. Não são editáveis pelo usuário com ferramentas comuns do Windows. Um réu não pode alegar que foram plantados sem que o
$MFTinteiro tenha sido forjado — tarefa colossal. - Oito timestamps se cruzam entre si. A manipulação costuma deixar marca: SI alterado mas FN intacto é a assinatura do timestomping.
$UsnJrnle$LogFilecorroboram. Se o$MFTdiz que um arquivo foi criado em T, o change journal deve registrar o evento na mesma hora. Discrepâncias são, elas mesmas, evidência.
O que o $MFT não prova sozinho
O $MFT prova que o arquivo existia em determinado diretório em determinado momento. Não prova:
- quem o criou ou acessou — exige os Security event logs;
- qual programa o produziu — Prefetch e ShimCache ajudam aqui;
- o que continha, para arquivos grandes — a menos que se recupere os clusters de dados;
- se um usuário chegou a abri-lo — Jump Lists e arquivos LNK são mais úteis.
Uma resposta completa costuma fundir o $MFT com os artefatos vizinhos. Mas o $MFT é a pedra angular — sem ele, os demais não têm a que se ancorar.